Um conflito Israelo-Palestiniano ou um conflito de Direitos Humanos?

Israel conseguiu uma grande vitória: a independência de um povo que se viu privado de um Estado onde se fixar ao longo de grande parte da História - a vitória de Israel foi, portanto, uma vitória para a Humanidade.


Todavia, com grandes feitos vieram também grandes tragédias. Esta conquista inicial não apaga o facto de Israel se ter transformado num verdadeiro povo inimigo, num estado de Apartheid - totalmente discriminatório de toda e qualquer religião e etnia diferente da do povo judeu, não se preocupando este relativamente recente Estado com a vida humana daqueles que professam outras religiões (religiões que também sofreram uma longa história de perseguição e exclusão por parte do resto da sociedade). Depois de várias guerras entre os países árabes circundantes e Israel, ainda não foi possível a criação e reconhecimento do estado autónomo da Palestina - Estado que se justifica, em larga medida, com a ocupação militar por parte de Israel.



Os mais recentes ataques derivaram de ações levadas a cabo há cerca de um mês e meio, durante o Ramadão, com a imposição de restrições por parte das autoridades de Israel - restrições que foram recebidas com uma forte oposição do povo palestiniano. Não obstante, a base do confronto foca-se no bairro de Sheikh Jarrah, em Jurusalém Ocidental, de onde os colonos Israelitas querem expulsar famílias de Palestinianos das suas casas, por uma alegada falha na legislação.


Com esta ocupação - um de muitos avanços feitos pelo Governo de Israel no território que deveria ser partilhado -, verificou-se um crescendo nos atos de violência entre Judeus e Palestinianos. Estes ataques violentos são totalmente desmedidos, mas sempre fundados em atos de repressão sobre o povo Palestiniano: uma verdadeira restrição aos seus Direitos Humanos.


Desde violência contra crianças e jovens, que são presos pelo Estado Israelita, a atos de perseguição e repressão. Mais de 70 vítimas e dezenas de feridos, entre eles, pelo menos, 15 crianças no lado Palestino. Os conflitos atingiram o seu auge quando mais de três centenas de Palestinianos ficaram feridos em confrontos com a polícia Israelita, na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém.



Por muito complexo que seja este longo e controverso assunto, há que reconhecer dois pontos: primeiramente, é muito difícil averiguar quem ou sequer se existe um culpado inicial neste conflito - defender Israel ou a Palestina depende muito do momento a partir do qual se define o início do conflito em si e este ponto inicial é largamente contestado; em segundo lugar, é importante reconhecer que ambas as partes têm um historial manchado por atos desumanos, mas mais que isso é também relevante ressalvar que este conflito nunca foi uma luta justa - não estamos a falar de dois lados que têm poderes militares, económicos ou financeiros iguais ou sequer parecidos! Qualquer vida humana perdida é sofrida, pertencendo a um lado ou ao outro, mas as discrepâncias nos números são grandes indicadores e mostram que, em última instância, a Palestina acaba sempre por ser o lado mais devastado, enquanto Israel tem um dos sistemas militares mais avançados que lhe permite uma defesa de qualquer míssil que o Hamas possa lançar.


Dito isto, é impossível continuar a afirmar que nos encontramos perante um conflito Israelo-Palestiniano, quando na realidade, o que está em causa é um conflito de Direitos Humanos que, infelizmente, a Palestina parece estar a perder.