Um caminho para a NÃO Apropriação Cultural


Com a globalização, sendo esta um processo que afeta a todos de igual forma, geram-se consequências sociais, consequências essas que tanto unem quanto dividem - e um exemplo da divisão, prende-se com o fenómeno da apropriação cultural.

A Apropriação Cultural é definida como “o conceito sociológico que vê a adoção ou o uso de elementos de uma cultura por membros de uma cultura diferente como um fenómeno largamente negativo”. No momento em que a cultura ocidental é dominante e assume os elementos de uma comunidade minoritária, ocorre o fenómeno da Apropriação Cultural.


A grande questão é que, tornar próprio e nosso algo que não nos pertence, aumenta a problemática dos significados. Ou seja, a utilização de elementos culturais de outras comunidades pode transformar negativamente as relações entre comunidades, pois o que será mais significativo - a felicidade, bem-estar, gosto, diversão, crédito, inspiração de quem apropria; ou a insegurança de um sujeito de certa comunidade, ou de certa comunidade tratando como bens de consumo as identidades culturais globais e as identidades culturais étnicas, fomentado, em muitos casos, o racismo, a segregação e desrespeito pelas culturas e religiões?


Desta forma, há quem interprete a apropriação dos seus costumes, valores e estilos de vida tão estimados, como um ataque. Por que é que têm de ser, maioritariamente, os ocidentais a validarem algo que nada lhes diz respeito, e que foi criado há séculos? Assim, conseguimos perceber que um dos vários problemas com a Apropriação Cultural é o de se querer celebrar outras origens e etnias, sem a presença das mesmas.


Vejamos um exemplo: Danielle Kwateng, fundadora do The Volta, uma concept store digital que agrega produtos artesãos da diáspora africana, que ficou especialmente irritada quando as “cornrow braids” se começaram a chamar de “boxer braids”, pelas publicações que se tornaram e, de repente, todo o significado por de trás das mesmas perdeu o seu escopo, tornando-se “cool”.