Quem é Ngozi Okonjo - Iweala?

A nova diretora da Organização Mundial do Comércio nasceu em 1954 na Nigéria, então colónia britânica. Mudou-se para os Estados Unidos da América em 1973 para estudar economia na Universidade Harvard. Mais tarde, em 1981, obteve o doutoramento pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts.


Ocupou o cargo de ministra das Finanças e dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, e posteriormente foi diretora-executiva do Banco Mundial. Tomou posse a 1 de março como diretora da OMC, após um hiato de 6 meses. Agora, contando com o apoio da administração Biden (dado que Trump não era a seu favor), teve abertura para começar o seu caminho de recuperação desta instituição.



Para que possamos entender o papel importante que esta personalidade representa, importa entender o que é a Organização Mundial do Comércio. Ora, assinado em 1994 em Marraquexe, o Acordo OMC vem revogar o GATT e os Acordos de Tóquio, na sequência do Uruguay Round. Com este Acordo surge a OMC e um conjunto de novas regras para o comércio internacional. A sua principal função consiste em garantir que o comércio flua de forma livre, com o objetivo de aumentar a prosperidade dos países membros. O órgão máximo da OMC é a Conferência Ministerial que se reúne, pelo menos, de dois em dois anos e pode tomar decisões sobre qualquer acordo multilateral de comércio. É uma organização internacional universal, tendo como objetivo incluir todos os Estados (sendo 164 os membros – 161 Estados + UE, Macau e Hong Kong). Relativamente aos países da UE, são membros por direito próprio e através da União Europeia, contudo todos os assuntos são tratados pela União, na medida em que esta tem competência exclusiva, como está indicado no Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia.


Numa época em que retomar as rédeas da liderança desta organização assume-se como uma tarefa especialmente árdua pelo rumo que a economia está a tomar, elevar o comércio internacional afetado pela pandemia requer competência e dinamismo, qualidades essas que Ngozi parece ter bem presentes si.



Desde o início do seu mandato assumiu desde cedo soluções para as crises na área da saúde, nomeadamente no que toca à questão das vacinas, facilitando o acesso às mesmas nos países com menor taxa de vacinação, numa iniciativa em consonância com os líderes do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, do Banco Mundial, David Malpass, e da Organização Mundial da Saúde, Tedros Ghebreyesus, investindo assim para aumentar a capacidade de produção, fornecimento, fluxos de comércio e entrega do imunizante. Com esta decisão, Ngozi vem dar sinal que a OMC serve para dar resposta a outros temas além daqueles que dizem respeito à negociação de taxas e direitos.


Abordando inúmeras vezes questões prementes como as alterações climáticas, saúde pública e desenvolvimento socioeconómico, “Ngozi Okonjo-Iweala é uma lufada de ar fresco na OMC”, como nos diz Simon Evenett, especialista em comércio internacional da Universidade de St. Gallen. Não só o é pela ambição e inovação que traz consigo, mas também por se destacar pela diferença – afinal de contas é a primeira mulher e a primeira diretora africana da OMC. O que é que isso significa? Progresso e igualdade.