Produtos cruelty-free e o possível retrocesso do Reino Unido

Em 1998, o Reino Unido foi o primeiro país no mundo a introduzir uma lei que proíbe os testes de cosméticos em animais, sendo que desde 2004, estes produtos deixaram de ser testados em animais em toda a UE.


Em 2012, a empresa britânica Lush mostrou de forma vívida o sofrimento dos animais durante os testes de produtos cosméticos . Para ganhar apoio à proibição mundial dos testes em animais, a marca colocou uma atriz numa vitrine de uma das suas lojas numa rua movimentada de Londres. As mesmas manipulações foram aplicadas na mesma em tempo real e em animais durante os testes cosméticos.


Agora, pela primeira vez em 23 anos, as autoridades do Reino Unido condenaram os animais ao sofrimento em consequência dos cosméticos. O governo do país aprovou a decisão do ano passado da Comissão de Recursos da Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA) e planeia retomar os testes de alguns ingredientes, visando a segurança do consumidor, como reporta o The Guardian, citando a instituição de caridade Cruelty Free International (CFI).


A CFI advertiu que, ao aceitar a posição da ECHA, o Reino Unido dará um "passo para trás" e perderá a liderança em ética animal. Os membros do grupo temem que essa redução do controlo dos componentes dos produtos leve a uma violência massiva sobre os animais. No entanto, o governo do Reino Unido afirma que os testes em animais de produtos cosméticos acabados ainda são proibidos no país e prometeu esclarecer em breve a posição do Estado sobre a experiência, publicar políticas atualizadas e orientações regulatórias.

De acordo com as regulamentações ambientais e de segurança do trabalhador no Reino Unido, os testes em animais só podem ser realizados quando solicitados pelas autoridades regulatórias e quando não existirem outras alternativas para testar a segurança de um ingrediente. No entanto, a Diretora de ciência e assuntos regulatórios do CFI, Kathy Taylor, afirma o contrário. Segundo a mesma, o governo permite testes em animais, incluindo componentes cosméticos há muito considerados seguros. E, por sua vez, explica que existem cerca de uma centena de ingredientes que são usados ​​apenas em cosméticos e podem ser testados em animais, visto que, antes de as proibições serem introduzidas em 1998, muitos deles já haviam passado em alguns testes e foram considerados seguros.

Como consequência, com base nos relatórios dos últimos anos, identificou-se que cerca de 84% dos entrevistados não comprariam um produto de beleza se soubessem que um de seus ingredientes foi testado em animais. Pelo que podemos notar uma consciencialização cada vez maior acerca dessa questão.

Além disso, existem muitas tecnologias para verificar a segurança dos cosméticos sem matar, sendo que as novas regras em causa não aparentam ter em consideração o progresso científico.


Em suma, se estas estas alterações forem introduzidas no Reino Unido, irão conduzir a um grande retrocesso, pondo fim a mais de duas décadas de progresso contra testes cruéis. Teme-se, consequentemente, que esta situação “inspire” outros países a reverem suas políticas de direito e bem-estar dos animais para uma situação mais prejudicial que a dos dias de hoje. Assim, e como já foi visto previamente, tal situação além de pôr em risco os direitos assegurados aos animais, irá, com grande probabilidade, causar grande impacto para a indústria cosmética, dado que a grande maioria dos consumidores se recusaria a comprar um produto deste modo testado, sendo, portanto, “um tiro no próprio pé”.