O impacto das fake news no século XXI


Em pleno 2021, todos podemos ser criadores ou mediadores de conteúdo digital. E essa possibilidade de comunicação através de meios informáticos favorece a criação e divulgação de notícias, partilha de opiniões e de pontos de vista. Este fenómeno, que parece inofensivo por favorecer os direitos à liberdade de expressão e de comunicação, poderá conduzir a uma consequência paradoxal: à desinformação geral dos cidadãos.


As fake news podem ser descritas como notícias falsas que são publicadas e divulgadas, designadamente, em redes sociais. E, apesar de à primeira vista o termo fake news nos parecer uma realidade distante, tal conclusão não poderia estar mais longe da verdade. Isto porque convivemos diariamente com tal problema, embora, na prática, poucos de nós se deem conta.

Em 2018, o site dictionary elegeu a palavra misinformation como a palavra do ano. E, tal não se deve estranhar, pois algumas das questões sociais mais controversas - como a eleição de Donald Trump ou a decisão favorável ao Brexit, ambas em 2016 - parecem ter sido influenciadas por fake news que foram divulgadas em diversas plataformas de comunicação.

Na verdade, apesar da massificação da divulgação de notícias falsas em redes sociais, alguns autores apelam ao facto de que o grande perigo reside precisamente nas fake news emanadas pelos governos de grandes potências mundiais que, numa cumplicidade tácita com os media institucionais, favorecem a desinformação.

Assim, é de notar que, nos últimos anos, alguns dos processos mais mediáticos permitiram perceber em que consistem as fake news, e desmistificaram a realidade em que estão inseridos os mais poderosos governos do mundo, permitindo que os cidadãos fossem informados de certos factos sem que essa mesma informação fosse filtrada ou adulterada. Alguns desses casos envolveram Julian Assange (Wikileaks); Edward Snowden, ou, mais recentemente, as investigações do Panama Papers e as revelações de Christopher Wylie sobre as atividades da Cambridge Analytica.