O flagelo das doenças mentais em 2021

Recentemente, a OMS anunciou um facto perturbador: em 2050, a demência deverá afetar cerca de 139 milhões de pessoas. A demência foi a sétima causa de morte em 2019, e é provável que se torne numa das principais causas de morte ao longo das próximas décadas. Todavia, não é apenas esta que caracteriza a sociedade atual, também outro conjunto de doenças mentais, como a ansiedade ou a depressão, têm vindo a ganhar terreno nos últimos anos.

Lembremo-nos de um caso recente: no verão do ano passado a atleta Olímpica Norte Americana Simone Biles surpreendeu tudo e todos quando desistiu da competição de ginástica artística, aquando os Jogos Olímpicos de Tóquio. A jovem atleta afirmou que sentia que deveria desistir para assegurar o tratamento da sua saúde mental, uma vez que estava a enfrentar um esgotamento nervoso (burnout). Talvez para os mais desatentos, este foi um ato de loucura, no entanto, para os mais sensatos, foi apenas e somente um ato de coragem.



Infelizmente, este não é um caso único. Na realidade, o esgotamento mental/burnout é um dos maiores flagelos mundiais, tendo afetado em 2016, cerca de 13,7% das pessoas em Portugal. Por isso mesmo, a FIFA lançou este ano o movimento #reachout, de forma a auxiliar todas as pessoas que sentem que são as únicas a sofrer de uma doença mental, e, por conseguinte, se sentem incompreendidas e isoladas.


É inegável reconhecer que a pandemia da Covid19 foi provavelmente um gatilho para o despoletar de diversas doenças mentais, que afetaram e afetam, diariamente, pessoas de todas as faixas etárias. A razão para tal situação é simples: não é apenas fruto do desemprego ou da ansiedade social, que toda e qualquer pessoa pode enfrentar ao longo da vida, mas também, o resultado do encarceramento e restrição de liberdade de movimento derivados da pandemia da Covid19.


A ansiedade, a depressão, a doença de Alzheimer e o transtorno obsessivo- compulsivo (derivado da ansiedade) são as doenças/transtornos mentais mais comuns do novo século. No entanto, é inegável que, pelo menos quanto à depressão e à ansiedade, continuam a ser ignoradas pela sociedade e pelas políticas governamentais. E este facto não deixa de ser revoltante, tendo em conta que Portugal é o país da Europa com a taxa mais elevada de doenças mentais, e com maior prevalência de casos de pessoas com depressão (8% de pessoas em cada ano), ocupando o segundo lugar no pódio mundial, atrás dos EUA. Mais, estima-se que 1 em cada 4/5 pessoas terá, pelo menos, uma depressão ao longo da vida. No entanto, e infelizmente, é certo que nem todas as pessoas terão a força e o apoio necessários para as ultrapassar.