O apanágio das sociedades livre cambistas e as suas implicações nas economias regionais




A globalização pode ter incontáveis defeitos, mas é certo que o mundo em que vivemos hoje não deixa de ser fascinante, em parte, devido a esta. Basta olharmos à nossa volta para concluirmos que muitos dos bens que utilizamos no nosso dia a dia são provenientes dos mais variados locais do globo. Desde o nosso carro, passando pela nossa roupa, o nosso telemóvel ou computador, a comida que ingerimos, a música que ouvimos, o filme que nos emociona ou até o livro que tanto nos marca! E então, acabamos por nos questionar: se não houvesse globalização, como seria a nossa vida e a sociedade consumista onde que estamos inseridos?



Atualmente, temos a possibilidade de viajar para todo o mundo, de ver outras realidades, costumes e pessoas, e temos acesso a produtos e bens que, se não fosse a globalização, nunca chegariam até nós. E esses mesmos bens, assim como o estabelecimento de empresas internacionais no nosso país, acabam por favorecer o consumidor, que para além de ver aumentar a gama de oferta por onde pode escolher, tem a possibilidade de adquirir bens que se adequem mais concretamente às suas preferências, aos seus gostos e aos preços que considere ajustados. Todavia, os ganhos não são apenas para o consumidor, mas também para as economias dos Estados, principalmente, para os gigantes económicos onde se incluem a China, os EUA ou o Japão, que veem nesta uma possibilidade de expandirem os seus negócios e os seus lucros.


Segundo alguns modelos económicos, como o de David Ricardo (que desenvolveu uma visão muito interessante através da teoria das vantagens comparativas, contrapondo-se à teoria das vantagens absolutas de Adam Smith, que até então vigorava no comércio internacional), se um país se dedicar à produção de um produto no qual tenha um menor custo de oportunidade, e o exportar, e importar outros produtos nos quais o custo de oportunidade seria maior se esses mesmos bens fossem produzidos no próprio país, existe um maior ganho económico para todos os que se envolvam nessas trocas comerciais. A razão para os benefícios salientados é simples: tal acontece porque o nosso capital e energia acabam por ser despendidos num único produto em que temos uma vantagem comparativa e um menor custo de oportunidade (o foco aumenta a produção do bem em causa, e por conseguinte, os ganhos com a exportação), ainda que possamos ter uma vantagem absoluta na produção do bem que importamos. Esta foi uma das bases para a criação da