#MeToo: O abuso e assédio sexual no local de trabalho

O #MeToo é um movimento internacional que se tornou viral em 2017, cujo objetivo se prendia em dar ênfase ao abuso e assédio sexual, maioritariamente, no local de trabalho, como forma de alertar a população para este mesmo problema. Admito ter ganho uma perspetiva diferente do movimento #MeToo ao ver a nova série da Apple TV, com a Jennifer Aniston, Reese Witherspoon e Steve Carell, que aborda esta mesma questão.



Até então, tinha ideia de um #MeToo, em que os homens passavam sempre por ser os predadores, agressores, violadores, detendo toda e qualquer culpa. Mas, com o decorrer da série, pude-me aperceber de uma faceta do #MeToo completamente diferente: mulheres, que escolhem envolver-se com homens hierarquicamente superiores, que acabam por ver a sua vida destruída, porque a sociedade as julga por estarem com esses mesmos homens. E por sociedade, digo a própria empresa onde esse homem e essa mulher se encontram. O homem tem a sua culpa, mas também me custa acreditar que não exista culpa por parte das pessoas ao redor da mulher, que a julgam por ter estado com esse homem com poder.


À medida que a série avança, é de deixar estarrecido qualquer um, o impacto que um simples olhar no local de trabalho tem na mulher que se envolveu sexualmente com esse homem e a forma como esse homem encara a situação. Porque, quer queiramos quer não, o homem aproveita-se do poder e do nome que tem, de forma a obter tudo aquilo que quer e pensa que pode ter. E esse é o problema: ele acha que pode ter tudo, sem ter quaisquer repercussões, mas elas existem. Não só para ele, mas para todas as mulheres que (involuntariamente ou voluntariamente) se envolvem com ele. As palavras, os olhares, os suspiros de julgamento, o medo, destroem a autoestima de qualquer mulher. E o pior, pelo menos para mim, é a forma como as próprias empresas, por quererem proteger não só a sua imagem, mas o homem no poder em causa e o seu nome, encobrem todas as situações.


Também é verdade que, muitas das vezes, as mulheres aceitam voluntariamente envolver-se sexualmente com estes homens. Mas, a questão é que, basta um olhar dos mesmos para se instalar um pânico imenso, só de pensar nas consequências que o ato de recusar pode trazer à mulher. É desolador. Desolador pensar que uma mulher não pode ser livre no seu local de trabalho, com medo que um homem, hierarquicamente superior, possa colocar o seu futuro, pessoal e profissional, em causa.


Encontramo-nos em pleno Século XXI e está na altura de acabar com a perversidade de confundir e enganar a mulher, por forma a levá-la a praticar atos sexuais. Não só está na altura de acabar com esta perversidade, como está na altura de abolir com todo o bullying que advém da escolha da mulher de efetivamente estar com um homem num cargo hierarquicamente superior. Sim, porque o problema não está só no homem que engana, mas no colega que julga e na empresa que prefere esconder.


Devemos incentivar todas as mulheres a denunciar e a quebrar o silêncio, pois a verdade é a arma mais poderosa que todos temos em mãos.

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