Jovens na política


No ano de 2022, tivemos as eleições legislativas, eleições essas, que decidiram o governo para os quatro anos seguintes.


E qual foi a resposta dos jovens português? Foram votar ou verificou-se uma grande abstenção?


No mês de junho de 2022, ocorreram eleições em França. A taxa de abstenção dos jovens franceses foi uma das maiores de sempre.


Em Portugal:


Os jovens afastam se cada vez mais das urnas, mas não são alheios à vida política, manifestam se nas ruas, nas redes sociais e movimentos cívicos.


O estudo elaborado pela Fundação Calouste Gulbenkian, confirmou que os jovens "participam sistematicamente menos que os mais velhos" em atividades políticas "convencionais", como comícios ou congressos. Por outro lado, "algumas formas de participação política não-eleitoral têm aumentado ao longo do tempo", como explicam os investigadores.


Este fenómeno tem como causa a descredibilização da classe política e a sua incapacidade de motivar e mobilizar as gerações mais novas. Os jovens não são apáticos em relação à política. Então podemos pensar que se calhar o problema tem a ver com a maneira como os partidos políticos chegam aos jovens. Da mesma maneira que as tendências sociais vão evoluindo e a sociedade responde a essas mudanças, se calhar chegou a altura dos partidos se atualizarem a estas mudanças.


Registou-se um aumento de opiniões dos jovens relativamente aos salários, aos empregos e ao desejo de subirem na carreira.

O ativismo é uma das formas mais diretas e imediatas de responder às causas e é a maneira mais eficaz de se verificar a adesão dos jovens às causas. Mas o problema é, quando chega a altura de ir às urnas porque é que não se verifica o mesmo entusiasmo social?



Em França:


Os jovens franceses deram a sua opinião relativamente às eleições.

Em entrevista à euronews, Gaspard Hermann, jovem francês de 24 anos, criticou o facto de os eleitores serem frequentemente forçados a votar contra um candidato. Um problema que afeta um número elevado de eleitores que deverão escolher o próximo presidente, existindo apenas duas possibilidades: a candidata de extrema-direita Marine Le Pen ou o candidato de centro-direita Emmanuel Macron.


Muitos dos jovens que decidiram abster-se na primeira volta afirmam que não se sentem representados politicamente na segunda volta. "Não me revejo no atual sistema presidencial e na forma como funciona, em particular, a incapacidade de ter em conta a abstenção e os votos em branco, ou a escolha dos candidatos", afirmou à euronews uma jovem de 28 anos, que trabalha para uma administração pública nos arredores de Lyon e que quis manter o anonimato. É uma das muitas jovens entre os 18 e os 34 anos que não votaram na primeira volta da eleição presidencial.


Este ano, a participação eleitoral foi uma das mais baixas de sempre em comparação com as anteriores eleições presidenciais. Mais de um quarto dos eleitores não compareceram às urnas na primeira volta. As eleições tiveram duas voltas sendo que o Presidente Macron, centro direita ganhou na segunda volta mas não conseguiu uma maioria.

Em 2022, “a taxa de abstenção em França foi superior à de 2017", afirmou Tristan Haute, professor de ciências políticas na Universidade de Lille.


Entre os jovens com 25 a 34 anos, a taxa de abstenção foi de 46%, de acordo com uma sondagem da em presa de estudos Ipsos realizada após a primeira volta. Na faixa etária dos 18-24 anos, a taxa de abstenção foi de 42%.



Outras vozes foram entrevistadas e como argumento utilizaram o desinteresse eficaz dos políticos pós campanha eleitoral, no facto dos jovens não serem levado a sério apesar de serem o futuro do país.


Em Portugal a faixa etária entre os 18 e os 30 anos é aquela em que a taxa de abstenção é mais elevada. A nível nacional, nas legislativas de 2019, a abstenção chegou aos 45,5% entre os eleitores residentes em Portugal.


Como solução podíamos pensar nas quotas dos jovens no parlamento.


Nas eleições legislativas de janeiro, ao longo dos debates entre os líderes partidários, "é fácil constatar que os temas tiveram pouca importância". Os investigadores criticam ainda os poucos lugares que os partidos destinam aos jovens nas listas de candidatos para as legislativas, "sinal da incapacidade para incluir as visões da juventude".


Já se começa a discutir a questão das quotas. Será que era uma solução eficaz e viável que daria resposta ao problema dos jovens na política?


Até agora verifica-se que a estratégia dos partidos tem sido ineficaz para os jovens com pouca presença nas redes sociais e no espaço mediático. Mas de facto, por muito que se invista numa presença digital não nos podemos esquecer que a comunidade também precisa de presença física.



Fontes: