Inteligência artificial: O desafio de uma era cada vez mais digital

O mundo está a mudar. Se há 100 anos atrás nos dissessem que iríamos viver numa sociedade de carros não poluentes e autónomos, máquinas autossuficientes, supermercados sem funcionários e ensino sem professores, penso que ninguém teria acreditado!


De facto, o mundo atual é, nada mais, nada menos, que toda uma panóplia de meios tecnológicos que todos os anos têm progredido e conduzido ao espanto de todos nós. Aliás, como salienta Stephen Hawking “(…) o desenvolvimento pleno da inteligência artificial poderia significar o fim da raça humana”, pelo que devemos saber conviver com esta, mas sem excluir a inteligência humana e as suas enormes potencialidades.


A minha geração cresceu com as novas tecnologias e com a sua progressão, com os computadores, as consolas de jogos, os leitores de CDs e DVDs e os telemóveis. Mas, ainda assim, nos últimos anos, temos assistido a enormes avanços no meio tecnológico, em particular, com o desenvolvimento da inteligência artificial, presente, principalmente, nos nossos computadores e telemóveis, mas também num enorme conjunto de maquinaria que utilizamos no nosso dia-a-dia. Todos estes fatores implicam uma adaptação legislativa constante e criativa. E essa adaptação, apesar de aparentemente simples, revela uma complexidade crescente, pois implica uma análise detalhada de novos problemas e de potenciais situações futuras.


Por um lado, um mundo totalmente robotizado é assustador. Depender única e exclusivamente de máquinas, robots e inteligência artificial poderá significar a desvalorização do mérito humano e do pensamento criativo. Coincidentemente, a empatia que carateriza (ou deve caraterizar) o ser humano não existe nos meios tecnológicos. Uma máquina não saberá defender um ideal - pelo menos de forma autêntica e apaixonada - , nem saberá responder a um infindável núcleo de situações e questões de forma 100 % precisa e correta. Não saberá cuidar do próximo e colocar-se no seu lugar, nem criar soluções sem fim como a mente humana, pois a própria máquina tem uma inteligência limitada e criada pelo homem, e, à partida, sempre dependente da ação humana, ainda que muito evoluída, como acontece com os meios de Inteligência Artificial atuais.


É de reconhecer que existem enormes vantagens quanto ao desenvolvimento da inteligência artificial, não só a nível dos ganhos económicos da sociedade, mas também, por diminuírem alguns riscos de perigosidade para o homem, em particular, no meio laboral. Na realidade, todo o tempo passa a ser despendido de forma mais cronometrada e não existe tempo “morto”, e todas as soluções adotadas passam a ser mais lógicas e racionais, sem espaço para o emocional ou para dúvidas existenciais, pelo que é inevitável concluir que a produção e os ganhos económicos poderão ser bastante atrativos. Na verdade, a convivência com a IA poderá ser muito promissora para o homem, desde que devidamente doseada.