Importância da promoção de saúde mental: bem estar no contexto laboral

A saúde mental é um elemento fundamental e imprescindível para o bem estar dos indivíduos em qualquer tipo de ambiente, nomeadamente no meio laboral. De acordo com a OMS, cerca de 720 milhões de pessoas sofrem com doenças mentais em todo o mundo, o que corresponde a aproximadamente 10% de toda a população mundial. Uma das causas mais comuns de incapacidade em Portugal, são as perturbações mentais, colocando Portugal no ranking de segundo país da Europa, sendo que cerca de 60% dos doentes com perturbações psiquiátricas não têm acesso a cuidados de saúde mental. Especificamente, a depressão afeta 10 % dos portugueses e, em 2017, o suicídio foi responsável por quase 15 000 anos potenciais de vida perdidos .


No meio laboral, a saúde mental é imprescindível para a maior taxa de sucesso no local de trabalho, assim como, para o sucesso das próprias organizações. Pelo que, é frequente a falta de informação e de programas que permitam promover e melhorar a saúde mental dos colaboradores, ou a sua ineficácia, sendo os programas apresentados incapazes de dar respostas adequadas ao grupo alvo.


A doença mental é reconhecida clinicamente como um transtorno que pode ter como consequências alteração de comportamentos e capacidades cognitivas de um indivíduo, podendo vir acompanhada na maioria dos casos de um sofrimento associado, pondo igualmente em causa o normal funcionamento do indivíduo.


É de conhecimento geral que o local de trabalho pode apresentar elevados níveis de tensão e stress, seja pelo prazo da realização de alguma tarefa, pelo ambiente de trabalho ou até mesmo pela tipologia de trabalho. Deste modo, indivíduos com problemas de saúde mental estão mais suscetíveis a erros e acidentes no local de trabalho.



Dados estatísticos revelam que cerca de 20% dos trabalhadores apresentam sintomas de doença mental, sendo que cerca de 2% da população trabalhadora tem transtornos mentais de gravidade acentuada, tais como : depressão severa, esquizofrenia e bipolaridade.


No que toca aos tipos de transtornos, entre os principais nos locais de trabalho distinguem-se:

  • Depressão e ansiedade;

  • Transtornos alimentares;

  • Transtorno bipolar;

  • Transtorno obsessivo-compulsivo;

Os mais comuns no contexto laboral são transtornos depressivos, sendo considerados uma das causas principais de incapacidade para atividade produtiva e 5ª principal causa da morbilidade, não esquecendo que depressão é responsável por cerca de 80% dos suicídios.

Outro problema importante, encontra-se nos transtornos de ansiedade, sendo que passa a ser um problema patológico quando é manifestada sem estímulo externo justificável dessa reação, com duração, intensidade e frequência elevada, o que coloca em causa a produtividade e o bem estar do trabalhador.


Também, entre outros transtornos mentais, não podemos deixar de dar a devida importância a questão do stress ocupacional e burnout , sendo que os estudos revelam que o stress no meio laboral é na maioria dos casos ocorre quando ​​exigências do trabalho vão para além da capacidade do trabalhador satisfazer essas mesmas exigências.


Como consequência direta dos transtornos mentais, verifica-se a diminuição na produtividade, participação e comunicação, absentismo no meio laboral, para além do próprio sofrimento causado aos colaboradores.

Por fim, segundo factos revelados pela OMS, ainda são cerca de 20% de crianças e jovens que apresentam transtornos mentais, apresentando fontes de fisco essenciais no seu crescimento e desenvolvimento de outras doenças. Sendo necessário chamar atenção ao facto de que ainda existem atos de discriminação contra familiares e doentes com esse tipo de problemas que constituem barreiras na procura de ajuda.


No que diz respeito às políticas na defesa dos direitos humanos, é imprescindível continuar a adaptar políticas públicas e implicações de financiamento e recursos humanos para garantir e assegurar a saúde mental dos indivíduos, promovendo mais fontes informativos sobre o tópico e criando mais legislação para promover mais garantias para os cidadãos, tanto no ambiente laboral, como em qualquer outro.


É necessário também, tentar averiguar os sintomas do possível transtorno, através de certas perguntas, de modo a permitir avaliar se um trabalhador apresenta episódios depressivos. É imprescindível que as organizações garantam um bom ambiente de trabalho, sendo mais flexíveis em determinadas questões e apresentem boas práticas, propiciem a diminuição dos problemas de saúde mental.


É neste sentido, que no âmbito português, a OPP ( Ordem dos Psicólogos) propôs a alteração da legislação sobre Saúde Ocupacional, assim como a criação da figura do Psicólogo do Trabalho, com um papel diferenciador e fundamental na Saúde Ocupacional, nomeadamente através da avaliação dos riscos e realização de ações de prevenção e intervenção no âmbito da saúde mental laboral. Assim como a conclusão pela necessidade da saúde mental figurar na Lei de Bases da Saúde, com base própria e específica para a saúde mental.


Fontes:

  • Ana Filipa Magalhães Nogueira, “Saúde Mental no local de trabalho: a necessidade e importância da criação de um programa de promoção de saúde mental e bem-estar em contexto laboral”.