Crowdfunding – Uma solução de Financiamento

Hoje em dia são inúmeras as estratégias de financiamento às quais as empresas podem recorrer. No entanto, nem todos os meios de financiamento são suscetíveis de dar uma resposta a todos os pedidos.


O tradicional meio de financiamento – crédito bancário – impõe demasiadas burocracias e faz uma análise da situação financeira das empresas. Analisa o risco e exige garantias patrimoniais, impõe planos de salvaguarda e de reembolso e pagamento de juros, sendo este o seu principal interesse. Muitas empresas, nomeadamente as microempresas e PMEs, não cumprem estas exigências e veem o seu crédito negado.



Com lacunas a nível de financiamento, as empresas procuram meios alternativos de financiamento e um dos instrumentos que facilita a aquisição de capital por parte das empresas é precisamente o crowdfunding.


Crowdfunding é um método de financiamento através da internet, por uma plataforma onde seja permitido fazê-lo, onde se divulga uma campanha dirigida a uma comunidade – o fim último é a obtenção de fundos para um determinado projeto. Através desta plataforma, os investidores enviam, aceitando a oferta dirigida ao público, fundos para os project owners por uma das modalidades enunciadas.


Este meio de financiamento ganhou importância em Portugal com a crise financeira e, a partir daí, assistimos ao seu crescimento exponencial. No decurso da crise, os bancos foram fortemente restritivos na atribuição de empréstimos e nem sempre o capital de risco se mostrava suficiente para servir as necessidades de capital de todas as empresas. A sociedade moderna procura inovação e eficiência e foi isso que o crowdfunding ofereceu.

O crowdfunding conta com quatro modalidades que incluem o financiamento colaborativo através de donativos, com recompensa, por capital ou empréstimo.


- Donativo: Poderá ser através de donativo, pelo qual “a entidade financiada recebe uma determinada quantia, com ou sem a entrega de uma contrapartida não pecuniária”. Assenta num modelo de doação, ou seja, os investidores canalizam o seu capital para causas que consideram admiráveis, sem por isso esperarem qualquer benefício pecuniário em troca.


- Recompensa: A Recompensa é o tipo de financiamento pelo qual “a entidade financiada fica obrigada à prestação do produto ou serviço financiado, em contrapartida pelo financiamento obtido”. Em regra, entende-se que o financiamento colaborativo com recompensa oferece aos investidores benefícios de natureza não-financeira.


- Capital: Poderá haver financiamento através de Capital, no qual “a entidade financiada remunera o financiamento obtido através de uma participação no respetivo capital social, ou seja, pode haver lugar a distribuição de dividendos ou partilha de lucros”. Este modo de financiamento, também conhecido como equity crowdfunding, permite aos investidores serem recompensados com a atribuição de participações sociais no capital da sociedade alvo de financiamento e que dá lugar à expectativa de participação nos lucros do empreendimento financiado.


- Empréstimo: É a modalidade de financiamento através da qual “a entidade financiada remunera o financiamento obtido através do pagamento de juros fixados no momento da angariação”. No âmbito desta modalidade os investidores têm direito à devolução do capital investido, bem como ao pagamento de quaisquer juros que possam ser devidos nos termos do contrato celebrado.

O recurso ao crowdfunding apresenta características tentadoras para os investidores. A principal vantagem apontada ao crowdfunding é a possibilidade de acesso fácil e barato ao financiamento. Contudo, o crowdfunding conta com mais vantagens, tais como a divulgação gratuita, ou quase gratuita, dependendo da plataforma, funcionando a mesma como fonte de publicidade. Permite, também, reduzir a dependência aos tradicionais meios de financiamento e permite, ainda, alcançar inúmeros apoiantes. Para além do que acabámos de referir, é reconhecido que o crowdfunding apresenta um grande potencial para diferentes tipos de projetos.


No entanto, comporta desvantagens e, ao recorrer a este tipo de financiamento, é necessário fazer uma ponderação entre as vantagens e desvantagens. A principal desvantagem associada ao crowdfunding é em relação à propriedade intelectual. O projeto, o conceito e a empresa tornam-se públicos e isso pode comportar alguns riscos. Por outro lado, ainda que uma vantagem seja o alcance de inúmeros apoiantes, gerir um grande número de investidores pode mostrar-se uma tarefa complicada e difícil. Por fim, é importante realçar que o crowdfunding serve para apoiar as empresas numa fase inicial do projeto, podendo não ser sustentável a longo prazo. Por isso, pode também não ser eficaz para projetos que necessitem de grandes montantes de investimento.


Através de uma plataforma de crowdfunding os project owners devem publicitar a sua ideia e divulgar a campanha de angariação de fundos – isto significa que a forma como é dirigida e organizada a campanha é muito significativa e poderá, certamente, fazer a diferença no montante acumulado pelo interessado. Desta divulgação vai depender o sucesso do pedido de financiamento e esse êxito pode depender de inúmeros fatores. Reconhecemos que é importante ser o mais transparente possível, divulgar e disponibilizar informações quanto à pessoa e ao próprio projeto - é essencial. Quanto mais informação se disponibilizar, mais confiança se transmite ao investidor. A informação disponibilizada pode conter dados a respeito dos riscos associados, simulação de lucros e perspectivas para o futuro.


Para o êxito das campanhas, as plataformas onde as mesmas são divulgadas podem ter bastante influência. Se for uma plataforma conhecida, prestigiada e valorizada pelos investidores, é possível que as publicações, e os seus interessados, atinjam mais facilmente os objetivos pretendidos. Como mero tipo exemplificativo, em Portugal, duas das plataformas de crowdfunding mais prestigiadas são a Raize e a PPL.


Em suma, reconhecemos que o crowdfunding “veio para ficar” – Cada vez mais são as empresas emergentes que utilizam esta forma de angariação de capital para iniciarem novos projetos e, igualmente interessante, são cada vez mais os investidores interessados em participar nos investimentos deste tipo de empresas.



Se considerar este tema interessante, poderá sempre consultar os diplomas legais nacionais – Lei 102/2015; Lei 3/2018; Regulamento CMVM 1/2016.