Afeganistão: os novos “direitos”

Nos últimos tempos, temos assistido, através dos vários de comunicação, ao “fim” da guerra do Afeganistão, e com ele a uma série de mudanças levadas a cabo pelo grupo extremista Talibã.


A Guerra do Afeganistão teve início após os atentados do dia 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos da América, por parte de grupos extremistas islâmicos. Após investigação e obtenção de provas, os EUA concluíram que o principal suspeito de organizar estes ataques era Osama Bin Laden, que se encontrava refugiado no Afeganistão, e liderava uma organização chamada Al Qaeda. Neste seguimento, os americanos pediram a entrega de Bin Laden por parte dos Talibã, no entanto, estes últimos hesitaram, uma vez que, o líder da Al Qaeda lhes oferecia ajuda, tanto a nível financeiro, como a nível militar. Devido a esta hesitação e a intenção dos Estados Unidos da América em pôr termo às redes terroristas, a guerra teve início em outubro de 2001.


Após vinte anos, o primeiro passo foi dado para o fim desta guerra - os acordos de Doha, assinados pelo presidente Donald Trump e os Talibã, a 29 de fevereiro de 2020. Neles estavam contidas as disposições sobre a retirada das tropas americanas e da NATO, cujo prazo seria até maio de 2021, mediante a promessa de que os Talibã não permitissem que o grupo Al Qaeda operasse nos seus territórios, assim como, as negociações entre o governo afegão e os Talibã. Contudo, este acordo é controverso, dado que o objetivo principal era o de possibilitar uma negociação de paz entre os talibãs e o governo afegão e este último não se encontrava representado por nenhum membro.


É também discutido se os Estados Unidos da América almejavam com este acordo que fosse instaurada, no Afeganistão, uma democracia e se por essa razão a missão teria sido mal sucedida, ao que Joe Biden responde que a intervenção do país que preside, no Afeganistão, se destinava principalmente à captura de Bin Laden e à eliminação da capacidade de financiamento dos grupos terroristas fora das fronteiras afegãs, referindo ainda que, o estabelecimento de um regime democrático seria assim um efeito colateral da presença de países ocidentais em território afegão. Por outro lado, o general Frank McKenzie, comandante do Comando Central dos EUA, defende que este acordo foi feito sob pressão de dinâmicas políticas internas norte-americanas e este processo demonstra que só existia vontade de abandonar de qualquer forma, o que resultou, tal como pudemos assistir, numa saída completamente descontrolada e na entrega do poder aos talibãs.



Posteriormente à retirada dos norte-americanos, que ocorreu a 30 de agosto, os talibãs, tomaram o controlo do país, o que levou a um medo de mudanças drásticas nas várias áreas dos direitos humanos, nomeadamente nos direitos das mulheres, já que no passado, quando o país era controlado pelo grupo, estas tinham restrições extremamente limitativas tais como (segundo Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão): não poderem sair de casa sem estar acompanhadas pelo marido ou parente (desde que do sexo masculino), ou não poderem frequentar a escola ou serem vistas por um médico. Atualmente, ainda não é conhecido quais as restrições para as mulheres, mas os talibãs defendem que irão respeitar os seus direitos desde que elas sigam a lei islâmica, isto é, a sharia, que é interpretada estritamente por este grupo, o que configura uma redundância, sendo que, à luz da sua interpretação da lei islâmica, a voz da mulher nem pode ser ouvida.

Em suma, o povo do Afeganistão está a dar sinais de retrocesso, as mulheres são obrigadas a usar burca e a não ir à escola “até a ordem ser resposta”, e as velhas punições também estão de volta tais como amputações de mãos para ladrões, execuções públicas e apedrejamentos por infidelidade, que mais parecem uma autêntica viagem no tempo até à época medieval.