Confinamento doméstico obrigatório: o que fazer quando se está presa com um agressor?

Sabemos que este isolamento das famílias é necessário e, sobretudo, crucial. Mas será que estarmos seguros relativamente à pandemia, significa que estejamos totalmente seguros? Para muitas mulheres confinadas em casa com maridos agressores, isto, na verdade, pode configurar uma tortura.


Num momento em que vivemos profundamente afetados pela propagação de uma pandemia sem escala — o CoronaVírus —, muitas são as medidas adoptadas pelo Governo Português, em consonância com as determinações da OMS, como forma de lhe dar resposta, tentando mitigar o contágio, diminuindo o número de afetados e, consequentemente o número de mortes.

Uma das mais importantes imposições governamentais, tomada no seguimento da declaração de Estado de Emergência, configura-se no confinamento obrigatório, isto é, uma limitação à liberdade de circulação das pessoas, exigindo-se que estas permaneçam nas suas casas.

É neste sentido, que esta medida se afigura como aquela que mais segurança e certeza nos oferece relativamente à contenção do vírus. Sabemos que este isolamento das famílias é necessário e, sobretudo, crucial. Mas será que estarmos seguros relativamente à pandemia, significa que estejamos totalmente seguros? Para muitas mulheres confinadas em casa com maridos agressores, isto, na verdade, pode configurar uma tortura.


A verdade é que, a convivência familiar em isolamento leva muitas vezes a que as situações de abuso, seja verbal, seja físico, aumentem. Justamente em razão do excesso de convívio e das, naturais a todos, pressões psicológicas impostas causada pela restrição de liberdade. É um risco enorme que corremos, sendo exemplo disso a China, onde, segundo testemunhos da polícia, os casos duplicaram desde o decretamento da quarentena obrigatória, gerando-se uma onda de solidariedade nas redes sociais para com as vítimas.